domingo, 14 de abril de 2013




Novo partido alemão pode prejudicar Merkel nas eleições

O líder de um novo partido anti-euro da Alemanha pediu neste domingo que o país abandone a zona do euro, afirmando que a moeda comum força os contribuintes alemães a resgatarem países falidos do sul europeu, cujas populações se referem aos alemães como nazistas. Enquanto o líder do partido Alternativa para a Alemanha, o professor de economia Bernd Lucke, discursava na convenção inaugural do partido, uma multidão de cerca de 1.500 pessoas, a maior parte composta por homens mais velhos, gritava em apoio ao novo líder que, segundo analistas, pode prejudicar a chanceler do país, Angela Merkel, em sua tentativa de ser reeleita em setembro.
Lucke disse que o euro fez muito pouco para unificar os europeus e expressou raiva contra os manifestantes do sul europeu que vêm comparando Merkel ao ditador nazista Adolf Hitler, devido às exigências por reformas e austeridade em troca de resgates financeiros. "Por causa do euro, as pessoas do sul da Europa não hesitam em expressar sua revolta contra a Alemanha, usando comparações nazistas. Isso não é como eu imaginei que a Europa seria", afirmou.
O partido adotou uma plataforma que pede mudanças no tratado europeu para permitir que cada um dos 17 países da zona do euro "decidam democraticamente qual moeda querem utilizar". "O euro foi um fracasso e seria ruim continuarmos a acreditar nesse conto de fadas. O fracasso do euro não significa o fracasso da Europa", disse Lucke.
Esse tipo de sentimento ainda é uma exceção na Alemanha, onde permanece um senso de obrigação em ajudar os vizinhos europeus em dificuldades, motivado principalmente pela vergonha com os crimes cometidos na era nazista. Mas o novo partido político espera aproveitar os temores de que a crise na zona do euro possa piorar e levar também a maior economia da Europa. Seu objetivo é angariar uma quantidade suficiente de votos nas eleições gerais de setembro para alcançar o mínimo de 5% necessário para obter representação no Parlamento alemão.
O partido se coloca fortemente contra a posição de Merkel de que não pode haver Europa sem a preservação da união monetária. Apesar de ainda estar nascendo, o movimento pode prejudicar Merkel ao ameaçar o apoio de seu principal parceiro de coalizão, do qual o partido da chanceler depende para ter um governo estável.
O Alternativa para a Alemanha quer introduzir referendos nacionais para que os eleitores possam decidir assuntos importantes, incluindo pacotes de resgate internacional. O partido pretende, no atual congresso, votar para a formação de um conselho.
Muitos dos que participaram da convenção expressaram revolta contra o que chamaram de transferências injustas de dinheiro dos contribuintes alemães para o resgate de países como o Chipre e a Grécia. "Esse partido tem boas ideias", disse o especialista em softwares Andreas Fluegge, de 49 anos. "O euro é um grande problema para nós. Desde que temos o euro, eu tenho ganhado menos dinheiro e pagado mais impostos por coisas que eu não entendo. Espero que esses novos políticos mudem isso."
Em meio ao discurso do que o partido não gosta, no entanto, há poucas informações sobre o que ele efetivamente apoia, e seus líderes foram chamados de "amadores políticos" em um editorial publicado na semana passada no jornal Bild, um dos maiores da Alemanha.
Especialistas acreditam que o partido tem poucas chances de angariar votos de protesto suficientes para alcançar o nível necessário de 5%. Ele tem chances, no entanto, de atrair número suficiente de eleitores da coalizão de centro-direita de Merkel para forçá-la a fazer uma aliança com a oposição ou conceder à oposição a ampla maioria. As informações são da Associated Press.

 

PARTICIPE: Empresa bávara promove workshop de energia solar

O grupo bávaro Donauer, com atuação mundial no ramo de sistemas de energia solar, vai promover, nos próximos dias 19 e 20 de abril, em Salvador, seu 4º Workshop de Energia Fotovoltaica. A atividade será realizada na Faculdade ÁREA 1, em cooperação com a empresa Eudora Solar.
"Agora já é possível gerar e usar energia solar fotovoltaica em casa e/ou na própria empresa. A ANEEL [Agência Nacional de Energia Elétrica] definiu as regras e, desde janeiro 2013, as concessionárias recebem os pedidos de conexão de energia solar à rede pública de energia. O excedente da geração de energia solar 'caseira' é armazenado na rede elétrica da concessionária local (como se fosse uma bateria) e esse crédito de energia será utilizado em horas sem sol", afirma a Donauer em seu site. A empresa acrescenta que, no entanto, ainda há escassez de informações acerca de como planejar e fazer a instalação fotovoltaica adequada e assim aproveitar essa nova oportunidade, razão pela qual decidiu promover o workshop.
O púbico alvo do curso, segundo a companhia, são instaladores de energia solar, engenheiros, construtores, eletricistas, técnicos, projetistas, empreendedores da construção civil e demais interessados em tecnologia de energia solar fotovoltaica.





Alemanha acabou de pagar a dívida da I Guerra Mundial em 2010

Para a Alemanha, a I Guerra Mundial acabou há três anos. Em 2010, o país pagou a última parcela dos juros da dívida emitida no exterior nos anos 20 para financiar o país de modo a cumprir as obrigações estipuladas nos Tratados de Versalhes, que foram suspensas quando Hitler subiu ao poder. Os últimos 125 milhões de euros em juros sobre esta dívida foram pagos ao longo de 15 anos, desde 1995.
A maior parte dos fundos desta última parcela paga em 2010 foi canalizada para investidores individuais, fundos de pensões e empresas que ainda detinham este tipo de dívida emitida entre 1924 e 1930, a grande maioria de nacionalidade norte-americana e francesa. A Alemanha retomou os pagamentos da sua dívida externa emitida nos anos 20 após a reunificação das duas Alemanhas em 1990 - sendo que em 1980 a maior parte das reparações da I Guerra já tinham sido saldadas pela República Federal da Alemanha -, depois dos juros terem sido ajustados várias vezes durante o século XX e no princípio do séc. XXI.
Depois de ter ficado acordado nos Tratados de Versalhes, que assinalaram formalmente o fim da I Grande Guerra e o armistício entre as várias partes, que a Alemanha ficava obrigada a pagar cerca de 266 mil milhões de marcos de ouro, a moeda alemã na altura (cerca de 600 mil milhões de euros) aos países da Tríplice Entente - Reino Unido, França, Império Russo e restantes países ocupados - por “culpa de guerra”, o país, que também estava destruído pela guerra e tinha perdido milhões de vida, viu-se a braços com uma enorme dívida.
UM ACORDO POUCO PACÍFICO Apesar dos governantes alemães terem hesitado em assinar um acordo que seria lesivo para o futuro do país, os Aliados forçaram o consentimento alemão ao apresentarem um ultimato: ou a Alemanha cedia, ou a guerra continuaria dentro do seu território. Nessa altura, Jan Christiaan Smuts, que seria presidente da África do Sul, foi o único líder aliado que formalmente protestou contra as condições inscritas no Tratado, alegando que prejudicariam de forma irrevogável a retoma do sector industrial em toda a Europa.
Também o economista John Maynard Keynes, que participou como representante do Tesouro britânico nas negociações em Versalhes, acabaria por abandonar a conferência, considerando que as pesadas coimas aplicadas à Alemanha acabariam por se tornar insuportáveis. Ainda apresentou um plano próprio ao presidente Wilson que consistia em financiar numa primeira fase a recuperação alemã, mas o documento foi rejeitado pelo então presidente norte-americano, com receio de lhe faltar apoio para tais medidas no Congresso.
Keynes escreveria no final de 1919 o livro “As consequências económicas da Paz” onde mostrava preocupação pela próxima geração de europeus que viveria “empobrecida” e seria alimentada pelo “desejo de vingança”. O livro foi amplamente lido, embora a sua visão profética não tenha suscitado qualquer alteração da orientação internacional junto dos líderes de então. A Alemanha começou a falhar pagamentos logo em 1923, o que levou à ocupação de território alemão por parte da França e da Bélgica.
Ao mesmo tempo, as piores previsões de Keynes tornavam--se realidade e as gerações que tinham combatido na I Guerra Mundial e as que pagavam a pesada factura do conflito começaram a extremar posições, levando a que nesse mesmo ano, um grupo de jovens do partido nazi, liderados por Adolf Hitler, tentasse derrubar o governo alemão e tomar o poder. Hitler foi preso, mas muitos alemães, ressentidos com as suas condições de vida, identificaram-se com o seu discurso.
Mais tarde, em 1929, a dívida foi reduzida para metade, mas nessa altura, a inflação na Alemanha - devido à impressão massiva de dinheiro para pagar as primeiras prestações das reparações aos Aliados - era tão grande que eram necessário vários milhares de marcos para comprar um pão.
Todos os pagamentos foram suspensos quando Hitler subiu ao poder, atrasando o pagamento das reparações que continuou após o fim da Segunda Guerra Mundial.

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